Receita de Óculos


Matéria enviada pelo Dr. Durval M. Carvalho

A prescrição de uma receita de óculos é o resultado de um exame de refração.

Quando estudante de medicina e, depois de um ano frequentando o Instituto dos Cegos de Uberaba receitava e achava que já sabia receitar óculos. Fui para a Santa Casa de São Paulo ainda no serviço de oftalmologia do Dr. Jacques Tupinambá e depois de 2 anos de residência, soube o tanto que, antes, eu não sabia receitar óculos.
Quando, trabalhando em Goiânia, já concursado como professor no serviço de oftalmologia da faculdade de medicina de Goiás, que passei a colocar em prática o uso de cilindro cruzado foi um outro avanço no meu conhecimento sobre refração; depois de 10 anos de consultório, um colega de Terezina veio dar um curso de refração aqui em Goiânia. Ele estava escrevendo 2 volumes só sobre refração e depois deste curso, vi o tanto que eu ainda aprendi sobre refração (infelizmente, 2 meses após, este colega faleceu por AIDS e a oftalmologia ficou sem este material espetacular).
O ser humano é uma entidade quântica, e a visão é o principal sentido sensorial que permite que as imagens sejam analisadas como ondas ou partículas. Esta propriedade humana é que explica alguns pacientes com astigmatismo de 1, às vezes 2 dioptrias ou mais e não queixar de sintomas, não apresentar fotofobia nem dor de cabeça; por outro lado, tenho vários pacientes jovens, que só aliviam a cefaleia se usar um óculos para corrigir um defeito de 0,25 dioptrias. As máquinas trabalham, calculando como partículas, medindo o tamanho do olho e refração dos meios; e o resto? O que interessa é o conforto e o bem estar da pessoa.
O critério de avaliação do leigo, é se está entendendo aquela imagem ou não. O próprio conceito de ver bem é relativo; pode pensar que vê bem porque não tem outra referência para comparar.
Vou dar só um exemplo para não delongar: a hipermetropia, que grosseiramente significa olho pequeno; os olhos possuem mecanismos internos para aumentar as imagens, permitindo uma boa resolução quando os graus são baixos e as pessoas são jovens, aí então, se vangloriam de ter uma visão ótima só que não gostam de ler, tem “preguiça” de ler, vai mal nos estudos, saiu da escola cedo; desconforto visual é uma das causas do atraso da cultura no nosso país. Está com os olhos irritados vai atrás de um colírio para clarear os olhos em vez de procurar acertar o grau dos óculos para os olhos deixarem de reclamar.
A maneira dos olhos reclamarem é não tendo vontade de “forçar”; é o cansaço, é ardor, são os olhos vermelhos, coceira, sono ao esforço visual, preguiça de leitura, dor de cabeça, fora as enxaquecas e a falta de aprendizado da leitura como na síndrome de Irlen.
Isto pode ser entregue para a competência da optometria??

Durval M. Carvalho

Receita de Óculos

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